As mulheres são cíclicas, mas o que quer dizer isso?

Detemos dentro de nós mesmas um ciclo, um círculo, que não tem principio nem fim, e no entanto cria vida e morte, ao ritmo da lua.

Cada ciclo lunar que vivemos na nossa vida, iniciamos uma jornada que nos leva ao interior de nós mesmas. Podemos lutar contra isso, como muitas de nós fazemos, mas está acessível a todas nós, se quisermos usar essa sabedoria a nosso favor.

Estes ritmos cíclicos manifestam-se através da dualidade: numa metade do ciclo estamos alinhadas para a criação, com o óvulo e o útero que se preparam para criar uma nova vida. Na outra metade do ciclo o óvulo (não fecundado) é reabsorvido e toda a preparação para a vida caminha para a destruição. Por aqui vemos a dualidade criação/destruição e que não existem uma sem a outra.

O ciclo menstrual é um chamado constante do nosso íntimo, para nos relacionarmos com a capacidade de criar novas realidades, trazer à luz novos potenciais e de trazer à luz o que precisa morrer em nós, passando por um processo que nos leva ao sentir o potencial da vida e a sentirmos o que nos dói.

É um sistema de regulação, de transformação, evolução e expansão que podemos usar se estivermos disponíveis para olhar. É um sistema circular que permite-nos renovar, morrer e renascer todas as luas.

Para muitas de nós é difícil conectar com o nosso corpo. É difícil lidar com o “ser mulher” num mundo que não valoriza a mulher e que tem preconceito com o feminino. Num mundo em que o pensar racional, voltado para a produtividade, voltado para fora, a intuição não tem lugar.

No nosso inconsciente colectivo, a mulher foi a responsável pela expulsão do paraíso, é a “susposta” criadora do pecado, por querer conhecer o seu corpo e a sua sexualidade. Até hoje a mulher é maltratada, julgada, violentada, diariamente. A ideia de corpo bonito está completamente distorcida por perfecionismo, afastado da realidade. A menstruação é encarada com nojo, como sendo algo sujo e que cheira mal.

O nosso Útero, fonte de vida, cujo elemento é a Água, contém em si todas as memórias e emoções que ficaram por expressar. O elemento água é também o elemento do segundo chakra, onde encontramos a nossa criatividade, a nossa capacidade de criar algo, seja criar vida, um filho, um projecto etc.

É no Útero que fica o registo de comunhão com o outro, contacto com o outro, desde que nascemos todos os relacionamentos que estabelecemos com o outro, no 1 a 1, a começar pela nossa própria mãe. É no Útero que ficam registadas as nossas expectativas em relação ao outro, sejam amorosas, sejam sexuais. O Útero e o segundo Chakra são a fonte da nossa receptividade, da nossa abertura ao outro.

Qualquer ressentimento que possamos ter guardado, por nos sentirmos magoadas, deixadas, invadidas, desamadas, desrespeitadas, fica alojado no Útero, sob a forma de energia negativa. E como é do Útero que todas e todos viemos, também trouxemos dores mais antigas connosco, das nossas mães e das nossas ancestrais. Facilmente esse ressentimento impede que tenhamos comunhão (com união) com o outro e limita a consciência de nós mesmas e de todos os nossos relacionamentos.

Contactar com o nosso Útero e com o nosso ciclo menstrual, faz com que quer queiramos, quer não, estamos em maior contacto com as nossas emoções, com o corpo, com a natureza, com o instinto animal.

 

Todos os meses somos chamadas a olhar, chamadas a sentir. Podemos olhar ou não, abafar o sentir, racionalizar as intuições, os insights, as visões, as sensações, as emoções que o ciclo nos traz, mas dá um trabalho e tanto fazê-lo.

 

E quando abafamos o corpo arranja maneira de nos fazer voltar a olhar, seja através da dor, das emoções que se descontrolam (a chamada Tensão Pré-Menstrual), ou em casos mais ou menos extremos, na forma de doenças.

Mas o que são as doenças além de um grito de socorro; pois quando não queremos ouvir, o nosso ciclo menstrual, ovários, útero, necessitam gritar!!

É preciso então sentir, olhar, ouvir, palpar, cheirar… de verdade é fácil porque por mais que tenhamos deseprezado a nossa mulher interna, a nossa mãe interna, ela está à distância de um sentir, de um olhar, de uma mão, de um Agora… basta que queiramos… mesmo que doa.

Com carinho e amor olhemos para o nosso ciclo, meditemos, escrevamos, criemos, perdoemos, apanhemos boleia do ciclo redondo que sempre volta, nunca acaba, como a lua que sempre muda e sempre é igual… à distância de um olhar. Na verdade é simples, pois dentro de nós a vida sempre pulsa, mesmo que já não tenhamos útero, mesmo que já não tenhamos período, somos uma roda magnética dentro de rodas, girando.

Vamos?

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