Não posso falar do Javali, sem falar das inúmeras vezes em que andei pelos seus trilhos desenhados no chão, marcados pela passagem das suas patas, roçando as giestas marcadas pelas suas presas. No meu tempo de arqueóloga andei muito pelo monte, sempre acompanhada pela presença do Javali e sempre que via os seus trilhos desaparecerem por meio vegetação densa e abrigos na rocha, bramia alto: “EHH! Vem gente!” batendo firmemente com os meus pés no chão.

Isto porque se o Javali sentir as passadas firmes nas proximidades, desvia o seu caminho. Porém se este encarar de frente contigo, ele não vai fugir, vai confrontar-te com toda a sua força guerreira!

 

É este o significado maior deste arquétipo, perante o medo, perante o perigo, frente a frente, ele não desvia o seu caminho, ele não foge do que a vida lhe apresenta de frente; o Javali não adia o encontro.

E se tiveres de encarar o porco selvagem dentro de ti, que tenhas a coragem para encarar a besta enganosa que alimentaste. Não tens de ter medo do Javali, pois ele ajuda-te a ver a verdade e convida-te a honrá-la, confrontando os teus medos. Mas muitas vezes temos medo do que vamos encontrar, pois existe a ideia que a verdade doí, e por vezes doí, mas só a verdade te libertará e a dor passa e transforma-se em algo poderoso. O medo transforma-se em coragem!

Quantas vezes abandonamos algo importante para nós, um projecto que amamos, um trilho excitante e novo que não sabemos onde vai dar, um potencial que fica pelo caminho? Quantas vezes adiamos a nossa vida por não querermos encarar o medo? E que medo é esse: O medo de não sermos suficientes, o medo das nossas próprias fraquezas, o medo das nossas forças, o medo de não sermos especiais, o medo de encontrarmos aspectos que não gostamos em nós, o medo de sermos humanos?

Quantas vezes é mais simples ficar com a mentira que contamos a nós mesmos, a mentira do “não consigo”, do “não sei”, do “tenho dúvidas” sem coragem para arriscar duvidar da veracidade das nossas fraquezas, menosprezando todas as vitórias? Quantas vezes nos condicionamos, muitas vezes sem nos apercebermos, por situações ao longo da vida que nos metem medo, para as quais arranjamos desculpas esfarrapadas, contabilizamos os fracassos, escondemos de nós e dos outros o que mais nos magoa? Quantas vezes entramos em negação e mentimos para nós mesmos?

A energia do Javali é a energia do guerreiro da luz, que surge dos trilhos internos do corajoso, que enfrenta o seu lado indomado, o seu lado selvagem, a sua própria sombra. E se pensas, por um instante, que não tens força suficiente para terminar o sonho que deixaste para trás, que não tens coragem para encarar o que procrastinaste, por medo do que ias encontrar, invoca em ti o Javali, poderoso guerreiro corajoso, pois ele ajuda-te a encarar de frente o que mais receias e ajuda-te a desfazer a ilusão de fraqueza, ou grandeza, que possas ter sobre ti mesmo.

O Javali ajuda-nos a reclamar a energia do nosso espírito. Ajuda a encarar as nossas fraquezas, os aspectos em nós que não queremos ver e que preferimos fazer orelhas moucas, fazer de conta que não existem. Não encarar aspectos “sujos” do nosso comportamento de porco selvagem, leva-nos a sair do nosso centro, tira-nos poder, tira-nos presença.

O que andas a procrastinar na tua vida?

O porco selvagem ajuda-te a confrontar, a ter coragem brava de guerreiro, que com a sua presença inteira sabe a direção a tomar e toma-a. Não a evita, pois o que são os desafios na nossa vida senão aqueles que nos trazem maior força. Se te negas a confrontar os desafios, procrastinando os teus sonhos, estás a negar o teu espírito.

Podes bater com os pés e espantar o medo, adiar, adiar, adiar e o tempo passa, mas a mentira adensa-se. Se o medo é um mecanismo que te afasta de ti, que te guarda de aceder ao teu verdadeiro ser, ao teu verdadeiro poder, estás a mentir para ti próprio, estás a escusar-te de viver.

O arquétipo do Javali ajuda-te à confrontação com a verdade, e a verdade torna-te forte, pois a verdade liberta-te. Só a verdade te liberta!

 

Será que o Javali faz parte do teu TOTEM?

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