há uma loba à solta na cidade, perdida na selva urbana.

os seus olhos vão lá além e ela representa-se no espírito livre de uma corrida. chega mesmo farejar os passeios, a saltar escadarias, a espreitar por detrás das estátuas altas nas pracetas, a buscar as beiradas das janelas do primeiro andar. chega mesmo a uivar.

e ela caminha pela cidade, os joelhos tremem, os pés resvalam pois o corpo quer correr, saltar pelas escadas e lançar as quatro patas ao chão. mas os pés têm botas, e as mãos são nuas e sem pêlo, por isso vai-se aguentando na vertical, apenas em duas patas.


a imaginação flui por meio de grandes calhaus castanhos e cinzentos, pontuados por giestas e silvas, que são apenas os canteiros nas varandas e as rosas nos jardins. os seus picos não rasgam a pele pois existe pêlo, duas grossas camadas dele, que protegem do frio cortante das montanhas altas, que são apenas prédios altos que arranham o céu.


e os joelhos tremem e os pés resvalam mas o corpo a muito custo vai-se mantendo na vertical, apenas em duas patas. a loba caminha pela cidade, com um leve sorriso nos lábios e os olhos semi-cerrados num brilho vivo, da expressão de total de si mesma.

Gostou? Não se esqueça de partilhar com os seus amigos! Muito obrigada!

1 Comments

  1. dulce paula

    Responder

    este texto de Francisco de Assis é lindo. Precisei ler hoje,,,sem procurar. São 23h e quase “viciada” na net, acabei o encontrar, Obrigada. P.S. Por vezes não entendo tudo, preciso sempre de trocar ideias, sempre fui assim….e agora não tenho como/quem…..Neste caso deste texto, ultima frase. Obrigada.

Leave Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Gostou? Partilhe!