Quero ser ventania, se ser ventania é quem sou no momento. Não quero analisar, ah! Espera, serei uma brisa ou serei apenas vento? Quero ser ventania se é quem sou no momento. Tornar-me na forma do vento e apenas ir para onde tenho de ir e como uma rajada abrir-me nas suas asas e largar-me em rabanada.

Pelo caminho mudo a forma das nuvens que efémeras se rasgam em tempestade. Encaracolo-me nas penas de um falcão e a alta velocidade aguço-me por entre as as unhas e o bico, esfrego-lhe a visão e vejo através dos seus olhos e mergulho para onde tenho de ir. Posso ter qualquer forma, mas vou para onde tenho de de ir, ah! Espera, não serei apenas vento? Não tenho de saber, quero ser ventania se é quem sou no momento.

Enrolo-me com as grandes vagas do oceano e de par em par revolto o mar e rebento na areia, e viro nortada e num redemoinho fustigo as pedras da calçada. À velocidade de um golpe passo pelo sopro do lobo e voo pelos ares por entre os estilhaços da casa de palha, se é por onde tenho de ir, para depois seguir ajudar a chuva a cair.

Então viro a brisa, que ajuda a folha a soltar, e que, gentilmente bule por entre os feijões erguidos, deixando para trás o restolho, que se cola à pele suada. E se for por onde tiver de ir, corro para apagar o lume no caldeirão que transborda, e refresco a pele transpirada, lambendo o fruto do trabalho de quem mexe e remexe as voltas da vida.

E agora apenas uma aragem, acaricio os cabelos e passo por entre os pelos do nariz. E num fôlego viro alvéolo, força de vida que alimenta o centro de mim, que é por onde tenho de ir, onde quero apenas Ser, que é quem sou no momento.

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