O Dragão

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O Dragão não é um monstro, é apenas um reflexo dos teus piores fantasmas. Enfrentar o Dragão que existe em todos nós é ficar frente a frente com o teu espelho, o reflexo de ti que mais temes e que escondes a todo o custo, projetando no outro.

Não é o Dragão que te vai fazer mal, o que te faz mal é o medo que te diz “foge!”, é o medo que te diz “corre!”.

E perante tamanho monstro bafiento e cheio de escamas, vais para casa corrido a chinelo, porque deste autoridade ao pacto que fizeste com o medo, que te protegeu um dia.

Ou então lutas contra o Dragão, atacando com toda a tua força os fantasmas que criaste, que te obrigam a pegar na espada dizendo: “luta! luta ou senão morres! não pares nunca, senão morres!”
E por cada cabeça que cortas ao Dragão, nascem mais cem, e nunca nada é o suficiente e não podes parar senão morres! Porque deste autoridade ao pacto que fizeste contra o medo, que te protegeu um dia.

Mas se ficares parado frente ao medo tempo suficiente, armado com aceitação de que és humano, frente a frente com o Dragão, que tem a forma dos teus piores pesadelos, vais descobrir algo novo. Mas só se ficares lá para ver é que vais conseguir ver, o que é que o medo guarda, com tanto afinco.

E enquanto o monstro bafiento te ameaça com os teus piores defeitos e te mostra o reflexo do que acreditas ser… Tu ficas!

Tu ficas, frente a frente, armado com a espada da compaixão numa mão e o escudo do amor na outra, ali ficas, imóvel pela coragem, enquanto os teus fantasmas te ameaçam, atravessam e aterrorizam.

É um acto de coragem duvidar das projeções da mente e ficar firme, apesar de inseguro, de pé, imóvel sem fugir, quando as pernas gritam CORRE! Imóvel, quando a mão tenta erguer a espada e grita LUTA!

E ali ficas, sem saber o que vais encontrar, sem certeza que existe algo para lá da escuridão bafienta. É um acto de coragem ficar e duvidar se esse bafio é real, pois essa escuridão que pensas ser, é uma mentira que já compraste há muito tempo.

É um acto de coragem duvidar do espectáculo que a mente espelha naquele Dragão. É um acto de fé ficar imóvel sem saber, sem controlo, sem certeza do que vai acontecer a seguir, a duvidar da voz da noite escura, que te diz que vais morrer.

O Dragão não é para matar, é apenas um espírito que guarda tesouros. Só te vai deixar passar para resgatar o que é teu, a tua verdadeira essência, se estiveres disposto a abdicar das mentiras que arranjas, para ficares agarrado ao que não queres amar em ti, e te faz lutar contra ti e contra o outro.

O Dragão só te vai deixar passar para resgatar o teu Eu mais sagrado, se estiveres disposto a abdicar das mentiras que arranjas para ficares agarrado ao que te faz fugir de ti e do outro.

E ao ficar, estás a abrir os olhos, pois a coragem faz cair os panos que te tolhem a visão. Vais ver a ilusão da mentira que contaste a ti mesmo e ao mundo, a esfumar-se que nem cinzas pelo vento.

Vais ver a verdade, soprada pelo fogo da boca do Dragão. E vais ver que o Dragão é quem abre as portas para o tesouro; e pode até ser teu aliado.

AHO Dragão, espelho de mudança, guardião dos nossos maiores tesouros, aquele que só abre a porta a quem vai de coração aberto, disposto a ver a verdade, disposto a assumir o sua quota parte de sombra… e de luz! AHO!”


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